Relatos de parto

Gustavo

Flávia & André

O maior medo da minha vida tinha nome e sobrenome: gravidez e parto. Quem me conhece ao menos um pouco, já me ouviu falar sobre isso e também recorda que a maternidade nunca foi nem de longe o meu primeiro sonho desde a infância. Sempre segui a teoria de deixar a vida decidir por mim, e assim ela o fez: no dia 07/04/25 virei mãe fisicamente, depois de uma gestação cercada de boas surpresas, mas também por receios e mudanças físicas, profissionais e pessoais, onde fui convidada a deixar o controle e a confiar no processo.

E por falar em confiança, eu diria que essa foi a palavra que me regeu durante todo esse tempo, graças à querida Dra. Avelina, que além de ser um ser humano iluminado, especial e ímpar, é das profissionais mais capacitadas e competentes com quem já tive o privilégio de cruzar o caminho. Com ela, pude ir tratando as minhas inseguranças com informações, clareza, desprendimento e leveza. E foi o que fiz – sempre seguindo suas orientações, entre exames, acompanhamentos e um excelente pré-natal, também busquei sua orientação e contatei um enfermeiro obstetra para auxiliar no meu grande dia, que tinha DPP prevista para 01/05/25.

Porém, com 34 semanas, quando conheci pessoalmente o Rafa, da Equipe Empodere, mal sabia eu que estaria prestes a viver um trabalho de parto antecipado, às 36 semanas e 4 dias, quando o Guga, meu filho apressado e ligeiro, escolheu vir ao mundo e me pegar totalmente desprevenida, sem ensaios.

No único encontro que havia tido com o Rafa antes do parto, pude sentir sua firmeza, profissionalismo, sensibilidade e doçura e tive plena certeza de que estaria muito bem acompanhada por ele e o nosso reencontro aconteceu bem brevemente.

Comprovei isso quando enviei uma mensagem para ele às 05h30 do dia 07/04, só por precaução, mas jurando que estava apenas com uma “cólica estranha”, sem saber que as contrações já estavam acontecendo de 8 em 8 min. Nesse momento, agradeço profundamente ao André, meu marido, por ser tão pontual e obcecado por horários, porque sem ele eu jamais saberia de quanto em quanto tempo sentia dores.

O Rafa me tranquilizou, passou todas as orientações e depois de uma conversa mais criteriosa e detalhada com o André, avisou que passaria lá em casa pela manhã.

Às 7h30, quando ele tocou a campainha do apartamento, senti um conforto enorme e estava pronta para conversar com ele sobre os sintomas, dúvidas, se não fosse o rompimento da minha bolsa no momento exato em que ele pisou na minha casa…

E foi assim que seguimos rumo à maternidade: com a bolsa rompida, aos 8 cm de dilatação, quase parindo, sem tempo para anestesia, só com o objetivo de trazer ao mundo um bebê de 46cm e 2.960kg em 2 horas, naturalmente. Esse pode ser o cenário ideal de muitas mulheres, mas, como eu disse inicialmente, a mim nunca o foi, tendo em vista que jamais vivi algo tão profundo, visceral e avassalador em tão pouco espaço de tempo.

Porém, o que eu também não sabia é que essa experiência única e inesquecível me reprogramou integralmente e me fez acreditar que eu consigo fazer qualquer coisa desde então. Aqui, abro um parêntese bem grande e friso que consigo fazer sim qualquer coisa, mas se tratando de pré-natal e parto, desde que com o Rafa e a Dra. Avelina por perto, ao meu lado.

Sem esses profissionais, que me direcionaram de forma fluida, natural e precisa, eu não conseguiria encarar o meu maior medo tão de frente assim. Entre muitos esforços, posições, gargalhadas e emoção, deu tempo até de ter fome aos 10cm de dilatação e pedir um pãozinho para comer lá no Neocenter, antes de dar à luz (muitos risos!).

Ao meu marido, André, e meu irmão, Arthur, que estiveram comigo e também acompanharam esse momento, obrigada pela oportunidade de confiar em vocês, duas almas masculinas, para trazer esse pequeno ser, também masculino, para perto de nós e por abrirem em mim um olhar empático, inclusivo e de aceitação.

Vocês, fisiologicamente, não conseguem fazer o que fazemos, mas conseguem sim sentir o que sentimos.

E foi quando vi a minha maior inspiração de leveza e força, que chegou à maternidade logo após o nascimento, que minhas lágrimas escolheram transbordar, porque as palavras já não eram suficientes.

Obrigada, minha mãe, e às que vieram antes dela, pela coragem que me deram. Obrigada, Dra. Avelina e Rafa, extensivo a todo o Núcleo Bem Nascer, por tornarem o meu maior medo na maior benção recebida em minha vida!


 

 

Ás 11h cheguei à Maternidade Neocenter, e após a avaliação da dra. eu já estava  com 4cm de dilatação. 
Internei, e no quarto ministraram o antibiótico (eu testei strepto positivo).. a dor foi aumentando, mas o chuveiro e bola estavam aliviando, pedi para a dra. Avelina avaliar minha dilatação, mas ela não quis, poderia estimular o TP e precisávamos aguardar as 4h do antibiótico, para ser mais seguro para a minha filha nascer.. entendi me concentrei e respirei, eu não podia ter pressa. .

 

Ás 11h cheguei à Maternidade Neocenter, e após a avaliação da dra. eu já estava  com 4cm de dilatação. 
Internei, e no quarto ministraram o antibiótico (eu testei strepto positivo).. a dor foi aumentando, mas o chuveiro e bola estavam aliviando, pedi para a dra. Avelina avaliar minha dilatação, mas ela não quis, poderia estimular o TP e precisávamos aguardar as 4h do antibiótico, para ser mais seguro para a minha filha nascer.. entendi me concentrei e respirei, eu não podia ter pressa. .

Às 14:47, após 4 contrações de expulsivo, uma dor inenarrável, e um grito que veio lá de dentro, a Marcelinha chegou aos meus braços.. de forma super tranquila, mas ao mesmo tempo forte, potente.. as lágrimas caíram pela primeira vez naquele dia e mais uma vez eu eu pude ver do que o meu corpo e mente são capazes! Eu havia conseguido, a minha filha estava em meus braços! 

Gostaria de agradecer imensamente a minha obstetra @avelinasanches por conduzir todo o processo de forma brilhante, e por tornar possível e mágica a chegada dos meus dois filhos!!
E ao meu marido @lucasguerralopes por sempre apoiar as minhas decisões, mesmo nem sempre concordando!