A Chegada do Nosso Bernardo 🤍✨
No silêncio daquela noite de sábado, o tempo pareceu desacelerar para dar espaço ao milagre. Ali, entre as pausas das contrações e a calmaria da nossa casa, começava a nossa maior e mais bela transformação.
Tudo começou de forma sutil, quase tímida, as primeiras cólicas deram as caras ainda leves, espaçadas, quase imperceptíveis diante da rotina que eu ainda tentava manter. Mas, aos poucos, o corpo começou a dar o seu recado: as cólicas, antes distantes, tornaram-se um pouco mais insistentes, pedindo que eu desacelerasse e voltasse para o refúgio do nosso lar.
A noite trouxe consigo a certeza de que a jornada havia começado. Entramos no período de latência: o corpo trabalhando em silêncio, preparando o caminho. As cólicas intensificaram-se e os intervalos encurtaram, mantendo ainda a dança irregular da expectativa.
O domingo amanheceu trazendo um novo ritmo. Às 10h30, a intensidade aumentou, embora a irregularidade ainda reinasse. Transformei a nossa casa em um santuário de movimento: alternei posições, busquei o conforto da água morna do chuveiro, busquei o repouso na cama e mudei de ambiente, testando tudo o que pudesse acolher o meu corpo.
Foi às 17h30 que o cenário se transformou por completo. As contrações ganharam uma cadência implacável: firmes a cada 5 minutos, profundas, exigindo de mim a entrega absoluta. Vendo a força com que eu abraçava o processo, a Rosane julgou mais do que prudente acionar a equipe para uma avaliação presencial.
Quando chegaram à nossa casa e realizaram o toque, a surpresa e a emoção tomaram conta do ambiente: eu já estava com 7 centímetros de dilatação! O trabalho de parto ativo já havia percorrido o seu caminho mais silencioso, e a recomendação imediata foi clara: era hora de ir para a maternidade. O nosso pequeno Bernardo estava finalmente pronto para vir ao mundo.
A chegada à maternidade foi o abraço que precisávamos. Fomos acolhidas em um quarto de parto natural humanizado, planejado em cada detalhe com tanto carinho. Ali estavam as nossas fotos contando a nossa história, a iluminação suave em penumbra trazendo paz, e a banheira pronta para acalmar as últimas etapas da nossa travessia, com a Rosane ao meu lado, de mãos dadas comigo, vivendo cada segundo desse milagre.
Eram por volta de 22h00 horas da noite quando nos instalamos ali, estávamos cercadas pela nossa equipe amorosa e competente: o enfermeiro obstetra Rafael Medeiros, a minha doula Miriam e a minha médica Dra Avelina Sanches.
Acreditávamos que o Bernardo logo viria.
A noite avançou embalada por contrações muito intensas, enquanto eu revezava o corpo e a alma entre o chuveiro, a bola de pilates e a imersão na água da banheira.
Às 00h30 uma nova avaliação da minha médica revelou que a dilatação estava completa: 10 centímetros! No entanto, a bolsa ainda estava intacta. Optei por aguardar mais um pouco, na esperança de que ela se rompesse de forma natural. Intercalei posições verticais e agachamentos entre uma contração e outra, já exausta, aproximando-me de 15 horas de trabalho de parto.
A exaustão pesava, mas eu insistia em preservar o rompimento espontâneo. Foi quando a sabedoria da Dra.Avelina me orientou com carinho: romper a bolsa permitiria que o Bernardo descesse de forma mais ágil, encaixando-se no canal de parto para a fase expulsiva. Decidimos seguir. A bolsa foi rompida e eu retomei os exercícios para encorajar o encaixe.
Porém, por volta de 3h30 da manhã, o meu corpo atingiu o limite da exaustão. Eu já não tinha mais forças para sustentar o ritmo das contrações necessárias para o encaixe final. Diante disso, a minha médica sugeriu a anestesia: um recurso estratégico para que eu pudesse recobrir as forças e conduzir o meu filho ao mundo pelas vias naturais, evitando uma cesárea. Com muito custo interno, aceitei.
Quando voltamos ao trabalho de parto, a dor aguda havia dado lugar a uma sensação profunda de pressão, o corpo inteiro sentindo o Bernardo descer e encontrar o seu caminho. Fui para o banquinho de parto.
Sustentada pelo amor incondicional da Rosane, minha esposa, meu porto seguro em cada segundo, pela condução firme, respeitosa e afetuosa da minha médica Dra.Avelina Sanches, e pelo apoio incansável e acolhedor da minha doula Miriam e do meu enfermeiro obstetra Rafael Medeiros, transformei o cansaço em empuxo. Sem essa rede de amor e extrema competência, eu não teria conseguido.
Após 50 minutos de expulsivo, às 5h22 da manhã, o Bernardo chegou. Chegou inteiro, cheio de vida, saudável e coroando toda a nossa entrega.
Naquele instante em que o seu corpinho encontrou o meu peito, todo o cansaço do mundo se dissolveu em silêncio. Ali, no calor daquele primeiro abraço, o tempo parou de vez: o meu filho olhou nos meus olhos e, no mesmo segundo, a mulher que entrou em trabalho de parto deu lugar a uma mãe renascida. A nossa família estava finalmente completa.
Ás 11h cheguei à Maternidade Neocenter, e após a avaliação da dra. eu já estava com 4cm de dilatação. Internei, e no quarto ministraram o antibiótico (eu testei strepto positivo).. a dor foi aumentando, mas o chuveiro e bola estavam aliviando, pedi para a dra. Avelina avaliar minha dilatação, mas ela não quis, poderia estimular o TP e precisávamos aguardar as 4h do antibiótico, para ser mais seguro para a minha filha nascer.. entendi me concentrei e respirei, eu não podia ter pressa. .
Ás 11h cheguei à Maternidade Neocenter, e após a avaliação da dra. eu já estava com 4cm de dilatação. Internei, e no quarto ministraram o antibiótico (eu testei strepto positivo).. a dor foi aumentando, mas o chuveiro e bola estavam aliviando, pedi para a dra. Avelina avaliar minha dilatação, mas ela não quis, poderia estimular o TP e precisávamos aguardar as 4h do antibiótico, para ser mais seguro para a minha filha nascer.. entendi me concentrei e respirei, eu não podia ter pressa. .
Às 14:47, após 4 contrações de expulsivo, uma dor inenarrável, e um grito que veio lá de dentro, a Marcelinha chegou aos meus braços.. de forma super tranquila, mas ao mesmo tempo forte, potente.. as lágrimas caíram pela primeira vez naquele dia e mais uma vez eu eu pude ver do que o meu corpo e mente são capazes! Eu havia conseguido, a minha filha estava em meus braços!
Gostaria de agradecer imensamente a minha obstetra @avelinasanches por conduzir todo o processo de forma brilhante, e por tornar possível e mágica a chegada dos meus dois filhos!! E ao meu marido @lucasguerralopes por sempre apoiar as minhas decisões, mesmo nem sempre concordando!