Owen(Maria Elisa e Harold)

Relato de parto Owen kolkman

Dia 13 de maio 2018: domingo de Dia das Mães e meu plano para aquele dia era almoçar com a minha mãe e minha família para celebrar meu primeiro dia das mães, com meu menino ainda na barriga. Mas grávida, e já com 40 semanas e 5 dias, não podemos garantir que o planejamento sairá do jeito que desejamos.

As 2 da manhã desse dia (madrugada de sábado para domingo) comecei a sentir contrações, estavam espaçadas mas não me deixavam dormir deitada. Para não atrapalhar o sono leve do meu marido, decidir ir pra sala e dormi sentada no sofá, enrolada num edredom e acordando a cada 15 ou 20 minutos com contrações.

Por volta das 6:30 da manhã, decidi voltar pra cama e tentar dormir, sem muita sorte, as contrações aumentaram em frequência e decidi pedir ao Harold, meu marido, que usasse o aplicativo e contássemos o espaçamento das contrações por uma hora. Estavam de 5 em 5 minutos. Liguei para Vanessa, Doula que contratamos por volta da 29 semana de gestação. [fizemos no MG doulas o nosso curso prático de parto, super recomendo] Ao explicar a situação, ela me disse: “olha, pelo seu relato, acredito que você esteja com 1 a 2 centímetros de dilatação e se conversarmos com Avelina agora e formos ao hospital, vc vai acabar voltando para casa. Portanto, relaxa, descansa, para de contar as contrações por agora. E se a situação mudar e você estiver com contrações a cada 2 minutos, você me avisa.”

E assim eu fiz, tentei relaxar, parei de contar as contrações mas não consegui me deitar e dormir. Fiquei na sala mesmo, sentava na bola de pilates, marido fazia massagem, tomei banho quente (acho que duas vezes). Andei pela casa, dancei um pouco, liguei para minha irmã e já a deixei de sobreaviso, afinal ela estava “convocada” para o parto.

Por volta das 14:30 da tarde, o tampão saiu, mas as contrações ainda estavam espaçadas. Às 18 horas, tive uma contração bem intensa que chorei de dor. Liguei pra Vanessa e ela me recomendou um banho quente de 40 minutos e que contássemos as contrações. O banho ajudou a diminuir a intensidade mas o espaçamento estava entre 2 a 3 minutos e a contração levando 30 a 40 segundos.

Liguei para Avelina, que me pediu para contar mais 30 minutos. Mandei a contagem, ela ligou e disse para nos encontrarmos no hospital às 9 da noite. Todo esse tempo Avelina me dizia, “sua voz está muito boa pra quem está em trabalho de parto”.

Liguei para irmã, que estava em um show no Mineirao para despreocupar um pouco sobre o processo, e disse “pode vir que está na hora”. Ela saiu de lá e veio me levar na maternidade. [Segundo o relato dela minha cara era de muita dor] e eu me lembro de pensar “bem, se chegar lá e tiver só dois centímetros vou pedir a cesária pra Avelina.”

Chegamos na maternidade por volta das 9 e pouca, fizemos os procedimentos de entrada e fomos para a sala de exame. Avelina me examinou e disse, “você está com seis pra sete centímetros e sua bolsa está quase estourando.” Foi uma alegria tão grande que meu humor mudou, já não estava mais com a cara de sofrimento. Para se ter uma ideia, Avelina instruiu meu marido a fazer a minha entrada no hospital e nesse meio tempo, ela ligou pra área de plantonista para descobrir quem era a pediatra e o anestesista. Ao me falar os nomes disse: “a pediatra vou conhecer mas o anestesista não” [minha irmã me contou depois que me achou muito doida ao dizer isso]

Subimos para a suíte de parto e já começamos a encher a banheira. Tinha colocado no meu plano de parto que não sabia qual posição queria ganhar o Owen e que iria decidir na hora. Fui pro chuveiro, conheci a enfermeira de plantão, Patrícia, e ela me dizia, “você não está com cara de quem está com 7 centímetros de dilatação.” Logo já comecei a pedir música e entre contrações eu dançava. Sim, dançava até o chão, e andava na suíte porque queria acelerar o parto. Minha mãe chegou no hospital e o programado era que ela não iria assistir o parto. Ela sonhava em ter um parto na água e conversamos muito sobre isso durante minha gravidez. Eu tinha medo de me sentir nervosa com a presença dela, mas ao saber que ela estava na sala de espera decidi deixá-la participar.

Em uma hora já pulei pra 8 centímetros e a bolsa estourou parcialmente. Então decidi ir pra banheira porque sabia que as contrações iriam aumentar. Com o passar do tempo, entre uma contração e outra, cantava, batia papo. Uma outra paciente da Avelina chegou no hospital, ela também estava em trabalho de parto e assim Avelina chamou o dr Sandro pra ficar de prontidão.

Vanessa já havia chegado mas meu marido ficou de “doulo”, expert em massagem. Não queria trocar de lugar com a Vanessa de jeito nenhum. Vanessa colocou velas, luz azul, tudo lindo. Ficava segurando minha mão e falando coisas de motivação, como uma coach de parto. Lembro de narrar varias partes do parto, mas claro, já na ‘partolandia’. Um certo momento comecei a dizer: cóccix... sem parar. Lembrei de uma aula da MG doula que dizia que eu era bom rebolar nessas horas, decidi levantar da banheira e dançar. Estava tocando uma música colombiana.

A maior parte do tempo fiquei de 4 dentro da banheira, na posição Gaskin, que havia treinado na fisioterapia com epino e era a que apresentava melhor resultado. Eu dizia “ círculo de fogo” mas o processo deu uma parada. Até o momento que Avelina pediu pra que eu mudasse de posição e fiquei semi sentada na banheira com os pés apoiados na beirada. A Vanessa me deu um lenço pra puxar e aí com duas contrações o bebê saiu. Todos choravam e eu com cara de alívio. Meu marido cortou o cordão umbilical como tínhamos sonhado. Foi lindo e eu sentia uma sensação que era um mix de felicidade e também alívio. O Owen ficou no meu colocou alguns minutos, cantamos para ele. Lembro-me de chamar minha mãe e dizer, “mãe, eu consegui, realizei o nosso sonho.” Ela ficou quieta todo o tempo e extremamente emocionada.

Quando as contrações da placenta vieram, eu não esperava mais por contração. Reclamei disso. Aguentei bem o processo do parto e fui reclamar quando tudo já estava bem resolvido.

 

Já na cama, amamentei na hora de ouro e não foi tão difícil como esperava.

 

Dicas finais:

  1. Faça quantos cursos teóricos e práticos sobre parto, você e seu marido acharem necessários, ter conhecimento sobre o parto me ajudou a me sentir segura com as minhas escolhas;
  2. Leia sobre o assunto, inclusive material em outras línguas.
  3. Monte o seu time de apoio. (Obstetra, Doula, fisioterapeuta, nutricionista - no meu caso) chamávamos essas pessoas de #teamOwen
  4. Busque um profissional da sua confiança e Confie no seu obstetra.
  5. Saia do sedentarismo (os exercícios na Sabrina Baracho foram essenciais)
  6. Faça massagens para o assoalho pélvico
  7. Faça um plano de parto e converse sobre ele com todas as pessoas que estarão com você no parto (no meu caso discuti com meu marido, Doula, obstetra e minha irmã)
  8. Leve o bebê para mamar na primeira hora (golden hour)

Se entregue ao processo que tudo fica mais fácil