Isa(Mônica e Max)

Relato de Parto
 
Bebê: Isa

DPP: 23/07

DN: 15/07 (38+6)
Peso: 2985g
Medida: 46cm
Local: Unimed Grajaú BH
Obstetra: Avelina Sanches (Núcleo Bem Nascer)
Doula: Lena Bezerra
 
Gestação:
 
Bebê desejada e planejada, tivemos uma gestação muito saudável. Eu tinha alguns medos tanto do parto normal como da cesariana. Uma grande amiga teve sua filha num parto natural em SP e isso me inspirou muito. Enfrentei meus medos durante o pré-natal, e algumas coisas que achei importantes nessa preparação:
 
- Após consultar com outros obstetras, conheci a Dra. Avelina Sanches no 2o trimestre da gestação por indicação de outras gestantes e encontrei nela linguagem, segurança e confiança, e senti que seria acolhida em meus desejos. Em cada consulta de pré-natal, a Dra. Avelina esclarecia inúmeras dúvidas. Desde a primeira consulta, me recomendou procurar uma doula e fazer a fisioterapia pélvica;
- Contratei a doula Lena Bezerra que já acompanhou centenas de partos, em sua maioria naturais e me apresentou a um grupo de gestantes/mães que fizeram e continuam fazendo parte da minha rede de apoio na maternidade;
- Fiz fisioterapia pélvica e sessões de epi-no;
- Fiz atividade física até o final da gestação e mantive uma boa alimentação;
- Mantive meu marido envolvido em tudo: dúvidas, medos, decisões, responsabilidades. Participamos juntos das palestras mensais do Núcleo Bem Nascer;
- Li muitos relatos de parto (dezenas);
- Assisti filmes e documentários sobre a realidade obstétrica no Brasil.
 
Pródromos:
 
Na semana anterior ao parto eu senti a barriga endurecer algumas vezes, estava na 38a semana da gestação. Além disso, já sentia leves cólicas vez ou outra. Não tive ansiedade pois eu tinha outras preocupações em mente. A bebê me "esperou” terminar o semestre de faculdade na sexta-feira e preparar a mala da maternidade no sábado — e nasceu domingo. Mas ela não quis nem saber dos nossos planos de mudança de apartamento e nasceu 1 dia antes! Com isso, fato curioso, saímos de um endereço em trabalho de parto e voltamos da maternidade com a neném para outro endereço. No fim, e com a ajuda dos avós queridos, deu tudo certo!
 
Fase latente:
 
Ela nasceu domingo às 20h23 e percebi os primeiros sinais sábado à noite. Às 23h, após o jantar, comecei a sentir leves cólicas como as menstruais. Fui dormir com a sensação “Será?!” mas não confirmei nada com o Max. Acordei às 3h da manhã sentindo as mesmas cólicas incômodas e notei a frequência delas de 20min. Pedi o marido para dormir o máximo que ele conseguisse, se eu precisasse dele, o chamaria. Mandei uma mensagem a doula Lena e voltei a dormir. Levantei às 7h, cólicas mais intensas, ainda espaçadas, me sentindo bem. Ainda tinha dúvidas se eram mesmo contrações. Visitei o banheiro mais de uma vez... Fiz meu café da manhã, avisei minha família, terminei de fechar a mala da maternidade e resolvi um bocado de pendências. De repente, por volta de 9h, fiz um xixi e notei uma gosma transparente: era o tampão! Neste momento, fiz contato com a Avelina, que me orientou “seguir o dia” e mantê-la informada. Max já estava acordado e eu fiquei bem à vontade em casa. Que fase gostosa, que saudades desse momento “a dois” com minha bebê. Era a final da Copa do Mundo, Croácia vs. França, e por volta de meio dia, horário do jogo, as contrações diminuíram de intervalo e aumentaram em intensidade, elas vinham em ondas e eu vocalizava focada somente em meu corpo. Marido seguiu preparando coisas: levou mala para o carro, instalou bebê conforto, ficou em contato com médica e doula, mediu contrações, me dava água e mexerica, mandava notícias para a família. Nesse momento eu ainda conseguia comunicar nos intervalos. O Max foi incrível do início ao fim, foi minha segurança para eu me entregar ao parto. Fiquei a maior parte do tempo no sofá e eu decidi que só iria para a maternidade quando o jogo acabasse. O jogo me distraia... e com isso eu tentava evitar chegar muito cedo na maternidade. 
 
Fase ativa:
 
O jogo terminou e eu já não conversava mais nos intervalos das contrações, que estavam ritmadas a cada 3min. Estavam fortes, porém eu tolerava sozinha. Passava a maior parte do tempo de olhos fechados, concentrada em mim, e buscando posições confortáveis. A comunicação com a Avelina e a Lena era por conta do Max. Tomei um banho e saímos para a maternidade as 15h. O trajeto levou quase meia hora porque eu pedia para ele ir beeeem devagar. Ligamos antes para a Unimed e soubemos que uma suite PPP estava disponível, e por isso decidimos ir pra lá. Recusei a avaliação do plantão pois a Avelina já estava a caminho. E quando ela chegou, eu chorei... senti um alívio! Max foi fazer a papelada de internação enquanto fui avaliada. Para minha grande alegria, eu já estava com 6-7cm, colo fino, em trabalho de parto ativo! Logo em seguida a Lena chegou e a partir daí me entreguei a todas as suas sugestões visando que o trabalho de parto não parasse. Me lembro da Avelina pedir especialmente isso, que eu não evitasse as contrações e sim que elas fluíssem. Foi ótimo ouvir isso! 
 
Obs.: fui internada na suíte PPP que eu havia visitado semanas antes. Esta maternidade só tem 2 suítes com banheira e tive sorte de encontrar uma vaga. Uma pena termos tão poucas opções em BH; e estas poucas não são amplamente usadas nos plantões por desconhecimento das parturientes e falha de equipes que não as oferecem às mulheres que chegam em TP. O alívio que a banheira proporciona é sensacional.
 
Internei às 16h e não tive mais noção do tempo e o que ocorreu lá dentro. Mas sei que usei quase tudo disponível na suíte de parto para alívio das contrações, sempre ouvindo as sugestões da doula e com o marido ao meu lado: variar posições, usar a cama, cavalinho, chuveiro, banheira, escada na parede, massagens na lombar, luz baixa. Me lembro que a Lena vocalizava comigo e parecia que a contração passava mais rapidamente (efeito placebo maravilhoso). O Max colocou nossa playlist, eu chorei de novo... foi uma segunda sensação de alívio, ouvir uma música familiar, perceber que ele estava presente comigo e que estava indo tudo bem! Avelina ouvia os batimentos da bebê e estava sempre tudo bem. 
 
 
Fase expulsiva:
 
Eu estava na banheira e senti vontade de fazer cocô. Fui para o banheiro e realmente era cocô mas foi possível visualizar a bolsa íntegra e a bebê já bem baixa. Antes de voltar para a banheira me lembro que a Lena me pediu para vocalizar de forma diferente, mais garganta, mais animal — isso fez uma tremenda diferença pois percebi uma mudança nas contrações, que antes eram na parte da frente da barriga e agora eu sentia uma forte pressão em toda região pélvica. O papel da doula no meu parto foi fundamental, ela tem uma percepção sensível sobre a mulher em trabalho de parto e consegue antever e sugerir táticas, além de incluir o marido no processo. Avelina fez um novo toque, verificou dilatação completa e voltei para a banheira. Lá eu me apoiava no marido e variava posições. Expulsei uma parte da bolsa, porém ela não estourou e se manteve ainda íntegra. Eu dormia entre as contrações, me senti muito relaxada na água quente. Chupei um picolé e bebi água nessa fase da banheira. Depois de 1h me senti cansada e nada da bebê nascer, comecei a racionalizar que ela não nasceria ali de jeito nenhum. Me ofereceram a banqueta de parto. Na banqueta, com o Max sentado atrás de mim e a Avelina na minha frente, a bolsa finalmente estourou! Estava próximo o nascimento da Isa. Abaixei minha mão e consegui sentir os cabelinhos da minha bebê, sensação única! Mais uns 30min e ela nasceu. As últimas contrações foram as únicas que eu soltei alguns palavrões. Me lembrei perfeitamente do epi-no enquanto percebia o períneo acomodando a pressão da bebê na descida, então o círculo de fogo não foi significativo.
 
Às 20h23 Isa nasceu fazendo xixi e cocô, com circular no pescoço, toda linda com seu vernix e com um chorinho gostoso de ouvir. Avelina a colocou no meu colo, Max nos abraçando por trás, e eu falando o quanto ela era querida, bem vinda e amada. Pedi a pediatra plantonista para parar de esfregá-la. Ficamos ali vários minutos curtindo a delicadeza da neném. Ali mesmo na banqueta o Max cortou o cordão. Eu tive períneo íntegro, sem laceração, sem cortes e sem pontos. Em nenhum momento lembrei ou pensei em analgesia. Como a placenta não nasceu naturalmente, a bebê foi levada para o bercinho e eu deitei na maca da suíte. Recebi a injeção de ocitocina e massagem para nascimento da placenta. Queríamos ver este órgão, então Avelina nos mostrou e achamos fantástico. Papai Max colocou a bebê no meu peito e ela mamou na primeira hora. Neste momento a Lena me auxiliou com a pega — outro papel essencial da doula é o auxílio com amamentação. 
 
 
 
 
Conclusão:
 
Me entreguei ao trabalho de parto e o que viesse dele. O que eu podia fazer para me preparar eu tinha feito, que foi proporcionar um ambiente de respeito e segurança e equipe em que eu confiasse. A assistência médica fez toda diferença. A atuação da Avelina foi muito cuidadosa. Durante o trabalho de parto suas afirmações de que estava tudo bem e tínhamos todo o tempo necessário, além da constante monitorização da bebê; e no momento do nascimento com o cuidado com meu períneo, com a bebê e com a placenta. A doula Lena foi fundamental para eu alcançar dilatação total em pouco tempo de internação e sem sofrimento. A presença do Max foi meu apoio emocional e literal. Nele eu me pendurei, apertei, abracei, olhei, fiquei nua e livre para parir e trazer nossa bebê ao ar. Eu e Isa vivemos juntas todas as horas daquele domingo com a certeza que teríamos um nascimento de sucesso, independente da via normal ou cirúrgica. As fotos ficaram lindas e me lembram que eu senti dores mas estava acolhida pela equipe e meu marido. Não lembro de nenhum momento de sofrimento, somente o cansaço no final. Quero ter mais filhos e pretendo viver isso novamente!
 
Sou muito grata aos vários relatos de parto que li, eles me fizeram imaginar parindo ou indo para cirurgia, e ficar muito tranquila com qualquer desfecho. Percebi que cada nascimento é único. E quanto mais falamos sobre o parto de uma forma fisiológica, natural e real, com seus benefícios e dificuldades, mais perdemos os medos e mitos construídos ao longo de anos. Da mesma forma como deveríamos falar sobre parto instrumental e cirurgia cesariana. Precisamos de mais esclarecimentos e papo-aberto (entre leigos e também com os especialistas) e menos medos e tabus — visando assistência segura e de muito respeito a todas as gestantes! 
 
Ps.: no nascimento da minha filha fui tomada por um sentimento grandioso de respeito por ela. Mais uma garotinha para protagonizar sua vida nesse mundo!
 
 
Fotos: Paula Beltrão Fotografia